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Professora é palestrante em evento com alusão ao Dia Nacional dos Surdos


07
outubro 2019

Em alusão ao Dia Nacional dos Surdos, que corre me 26/09, a Secretaria Municipal de Educação da Estância Balneária de Caraguatatuba promoveu a palestra: “Caminho para prática pedagógica com alunos surdos. Desafios e possibilidades”.

A palestra foi proferida pela Profª Ms Sandra de Fátima Faustino dos Santos, do Centro Universitário Módulo, junto com os jovens surdos: Inês Rocha de Sousa, Phelipe Cassiano Augusto Souza Bezerra de Lima e Iori Ribeiro Foloni. Os três jovens são ex-alunos da Escola Estadual Thomaz Ribeiro de Lima e do AEE (atendimento educacional especializado), Sala de Recursos para os alunos com DA (deficiência auditiva).

Houve também a presença da Sra. Helena Dallaqua Capponero, mãe do jovem surdo Eduardo Capponero. Uma mãe proficiente na língua brasileira de sinais, atuante e conhecedora da cultura surda, que contribuiu ao partilhar sua experiência de vida e o processo educacional do seu filho, dando conselhos e dicas para os professores.

A iniciativa do evento e o convite para a palestra, partiu da diretora do setor de Educação Inclusiva da Secretaria Municipal de Educação, Profª Adriana Cristina Bueno, e da coordenadora da divisão de Educação inclusiva Juliana Ribeiro de Almeida, que fez o acolhimento dos palestrantes.

O Dia Nacional do Surdo é uma data de reflexão a respeito dos direitos e da inclusão das pessoas surdas na sociedade, sendo a data oficializada pelo decreto de lei nº 11.796 em 29 de outubro de 2008.

Setembro é um mês repleto de significados na cultura e história dos surdos, uma vez que dia 10/09, é o Dia Mundial da Língua de Sinais; 26/09, a data da criação da primeira escola de surdos no Brasil e 30/09, o Dia Internacional do Surdo. Em 26 de setembro de 1857, foi fundado no Rio de Janeiro pelo Imperador Dom Pedro II, o Instituto Imperial de Surdos-Mudos. O professor francês Édouard Huet, também surdo, foi convidado a lecionar às crianças surdas como forma de integrar essas pessoas à sociedade. As aulas eram ministradas em Língua de Sinais Francesa, o que resultou em uma forte influência na construção da Língua Brasileira de Sinais. O Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), dedica-se ao ensino bilíngue de pessoas surdas no Brasil.

O mês setembro, além das datas citadas, tem diversos eventos promovidos para uma maior conscientização sobre a Comunidade Surda e também para comemorar as conquistas obtidas por essas pessoas ao longo dos anos. Dessa forma,  o mês de setembro tornou-se conhecido como “Setembro Azul”.

A cor azul possui um papel importante, pois significa o símbolo de orgulho e resistência da Comunidade Surda. A simbologia vem da Segunda Guerra Mundial, quando durante a tentativa dos nazistas de livrar o mundo daqueles considerados “inferiores”, todas as pessoas com deficiência eram identificadas por uma faixa azul no braço — o que incluía a população surda. Essas pessoas eram então encaminhadas a instituições na Alemanha e Áustria, onde eram executadas. O programa responsável pela morte de cerca de 20.000 pessoas deficientes entre 1940 e 1945 era denominado T-4, ou Eutanásia.

Décadas depois, em 1999, a fita azul voltou a ser usada pela Comunidade Surda, mas agora como um símbolo do orgulho de ser surdo e fazer parte de uma população com uma história riquíssima. No século XIII, foi no Congresso Mundial da Federação Mundial de Surdos, sediado na Austrália, que se iniciou a Cerimônia da Fita Azul (Blue Ribbon Ceremony). A Cerimônia foi uma lembrança e uma homenagem aos surdos vítimas de opressão, sendo também a primeira vez que a fita azul foi utilizada com orgulho. O Dr. Paddy Ladd, também surdo, foi quem iniciou a prática do uso da fita azul como símbolo do movimento.

Muitas conquistas já foram alcançadas, como a oficialização da Libras como segunda língua nacional, a obrigatoriedade do ensino de Libras na formação de professores, a obrigação do ensino bilíngue para crianças com deficiência auditiva e a obrigatoriedade da presença de um intérprete de Libras nos órgãos públicos. Ainda há muito a se fazer para garantir a total inclusão das pessoas surdas no Brasil, e a data serve para nos lembrar disso e promover o diálogo sobre o assunto.

A presença dos surdos ministrando a palestra, ou seja, falando das suas experiências educacionais, de suas vivencias no período escolar, serve de alerta e ensino para os professores da atualidade; para que, exemplos negativos não se repitam mais. Da mesma forma, as declarações dos jovens surdos, com experiências frutíferas no ambiente educacional, servem de incentivos para os professores, provando que a educação dos alunos surdos é desafiadora, porém com inúmeras possibilidades educacionais realizáveis.

O centro Universitário Módulo já teve o prazer de receber e formar alunos surdos. E atualmente conta com interpretes permanentes e funcionários treinados e capacitados para melhor atender os universitários surdos.

Veja fotos do evento: